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       Você acha que essa tecnologia é nova? Bem, na forma de bits até pode ser, mas a técnica de leitura e identificação  da impressão digital é muito antiga, e nenhum outro método teve tanto sucesso quanto a Dactiloscópica.

História da Dactiloscopia

Ano 650 da era Cristã
     Código de Yng-Hwui, durante a dinastia de Tang na China, determinava-se que o marido desse um documento à divorciada, autenticando com a sua impressão digital.

Ano 782
     Foram retiradas de cidades soterradas na areia, no Turquestão, placas de cerâmica lavradas com as seguintes palavras: "Ambas as partes concordam com estes termos que são justos e claros e afixam as impressões dos seus dedos, que são marcas inconfundíveis."

Ano 800
     Na Índia, as impressões digitais eram conhecidas com o nome de Tipsahi, termo criado pelos tabeliões de Bengala, onde os analfabetos legalizavam os seus papéis.

Ano 1300
     Os chineses empregavam a impressão digital não só nos divórcios, como também nos casos de crimes.

Ano 1658
     Em muitos países empregaram-se o ferrete, a tatuagem e a mutilação, para identificar escravos e criminosos.

     Na Pensilvânia, EUA, os criminosos eram marcados com uma letra feita com ferro em brasa sobre o dedo polegar esquerdo: A=adúltero, M=assassino, T=felonia.

     Na França, os condenados às galés eram marcados com o sinal GAL. Ao lado do ferrete, empregou-se a mutilação.

     Em Cuba, cortavam-se as orelhas dos escravos e narinas dos criminosos.

     Nos EUA, se um homem casado praticasse sodomia, seria castrado, também amputava-se as orelhas dos criminosos condenados.

Ano 1664
     Marcelo Malpighi, médico italiano, publicou um trabalho intitulado "Epístola sobre o órgão do tato", no qual estuda os desenhos digitais e palmares.

Ano 1823
     João Evangelista Purkinje, apresentou à Universidade de Breslau, na Alemanha, uma tese na qual analisou os caracteres externos da pele, estudou o sistema déltico e grupou os desenhos digitais em nove tipos.

Ano 1840
     Com o aparecimento da fotografia, passou a ser esta empregada como processo exclusivo de identificação criminal, inicialmente na Suíça.

Ano 1856
     José Engel publicou o "Tratado do Desenvolvimento da Mão Humana", no qual fez estudos sobre os desenhos digitais. Engel afirmou que os desenhos digitais existem desde o sexto mês de vida fetal e reduziu para quatro os nove tipos descritos por Purkinje.

Ano 1858
     William James Herschel, coletor do governo inglês, em Bengala, Índia, iniciou seus estudos sobre as impressões digitais: tomou as impressões digitais dos nativos nos contratos em que firmavam com o governo. Essas impressões faziam as vezes de assinatura.

     Herschel, então, aplicou-as nos registros de falecimentos e usou este processo nas prisões para reconhecimento dos evadidos. Henry Faulds, inglês, médico de hospital em Tóquio, contribuiu para o estudo da dactiloscopia, examinando impressões digitais em peças de cerâmica pré-histórica japonesa. Faulds previu a possibilidade de se descobrir um criminoso pela identificação das linhas papilares e preconizou uma técnica para a tomada de impressões digitais, utilizando-se de uma placa de estanho e tinta de imprensa.

Ano 1882
     O Sistema Antropométrico, lançado em Paris, por Alfonse Bertillon, foi o primeiro sistema científico de identificação, pois baseava-se nos elementos antropológicos do homem. Consistia no assinalamento, feito em milímetros, de várias partes do corpo humano: diâmetro da cabeça; comprimento da orelha direita; comprimento do pé esquerdo; estatura; envergadura; assinalamento descritivo do formato do nariz; lábios; orelhas; e também, de marcas particulares (tatuagens, cicatrizes, etc.). Esses dados eram registrados em uma ficha antropométrica, que continha também a fotografia do identificado.

Ano 1888
     Francis Galton, nobre inglês, foi incumbido pelo governo de analisar o material colhido por Herschel, quando esteve na Índia, a fim de estabelecer um sistema de identificação mais seguro que a antropometria. Foi então que lançou as bases científicas da impressão digital.

     O sistema de Galton foi, sem dúvida, rudimentar. Teve, entretanto, um grande mérito: o de servir de ponto de partida para os demais sistemas dactiloscópicos.

Ano 1891
     Henry de Varigny, articulista francês, publicou, na "Revue Scientifique" de 2 de Maio, um artigo discorrendo sobre o sistema de Galton, neste, apresentou várias sugestões quanto ao emprego das impressões digitais. O artigo de Varigny foi traduzido para o espanhol e publicado na "Revista de Identification Y Ciências Penales".

     Lendo esse artigo, Juan Vucetich, encarregado da oficina de identificação de La Plata, Argentina, logo se convenceu da superioridade do novo sistema de identificação, iniciando, assim, seus estudos sobre as impressões digitais.

     Em 1º de Setembro, Vucetich apresentou seu sistema de identificação, com o nome de Icnofalangometria.

     Vucetich baseou sua classificação no sistema de Galton, procedeu a tomada das impressões dos dez dedos, empregando os símbolos literais e numerais na classificação das figuras: ARCO-A-1; PRESILHA INTERNA-I-2; PRESILHA EXTERNA-E-3; VERTICILO-V-4. Os símbolos literais representam os dedos polegares e nos demais dedos são empregados símbolos numerais. Os dez dedos de uma pessoa são diferentes entre si, assim como não existem duas pessoas que apresentam impressões digitais exatamente coincidentes.

Ano 1894
     Dr. Francisco Latzina, publicou no jornal "La Nacion", de Buenos Aires, um artigo no qual critica, favoravelmente o sistema de Vucetich, sugerindo entretanto, que o nome Icnofalangometria, fosse substituído por Dactiloscopia, este novo nome é constituído de dois elementos gregos (DA’KTYLOS = dedos; SKOPÊIN = examinar).

Ano 1900
     Edward Richard Henry, publicou na Inglaterra, seu livro "Classification and Uses of Finger Prints" expondo seu novo sistema de identificação dactiloscópico, adotando 4 tipos fundamentais: ARCOS, PRESILHAS, VERTICILOS E COMPOSTOS.

Ano 1901
     Neste ano, o sistema dactiloscópico de Henry foi adotado oficialmente na Inglaterra, pela Scotland Yard.

Ano 1902
     José Alves Felix Pacheco iniciou, no Rio de Janeiro, a tomada da impressão digital nas fichas Antropométricas.

     Em 17 de Julho foi inaugurado em São Paulo o Gabinete de Identificação Antropométrica, sendo a fotografia elemento auxiliar da identificação. Foi promulgada a Lei Nº 947 em 29 de Dezembro, criando a identificação dactiloscópica no Rio de Janeiro, capital do Brasil.

Ano 1903
     Em 05 de Fevereiro, foi regulamentada a Lei 947, pelo decreto Nº 4764, instituindo o sistema dactiloscópico Vucetich, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, Bertillon anexou a dactiloscopia ao sistema antropométrico de sua criação.

Ano 1904
     Em 29 de Julho, é expedida a primeira carteira de identidade, então denominada "Ficha Passaporte" ou "Cartão de Identidade", ainda usando assinalamentos antropométricos junto com a dactiloscopia.

Ano 1907
     Pelo decreto Nº 1533-A de 30 de Novembro, foi adotado no Estado de São Paulo, o sistema Dactiloscópico Vucetich, devido ao interesse do Dr. Evaristo da Veiga, sendo presidente do Estado de São Paulo o Dr. Jorge Tibiriça e, Secretário da Justiça e Segurança Pública, o Dr. Washington Luiz Pereira de Souza.

Ano 1935
     Sob a direção do Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, no Serviço de Identificação de São Paulo, é criado o Arquivo Dactiloscópico Monodactilar e o Laboratório de Locais do Crime.

Ano 1941
     O Instituto de Identificação da Polícia do Distrito Federal, Rio de Janeiro, passou a denominar-se Instituto Felix Pacheco, pelo Decreto-Lei Nº3793 de 04 de Dezembro. Pelo Decreto-Lei Nº 3689 de 03 de Outubro, é promulgado o Código de Processo Penal, que estabelece em seu art. 6º, inciso VIII, a identificação dactiloscópica nos indiciados em Inquérito Policial.

Ano 1963
     Em 21 de Setembro é inaugurado, em Brasília-DF, o Instituto Nacional de Identificação, com o objetivo fundamental de centralizar a identificação criminal no país.

Ano 1975
     Faleceu em São Paulo, o Professor Carlos Kehdy, autor de diversos livros sobre a ciência da Dactiloscopia e professor da Academia de Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Ano 1998
     O Instituto de Identificação do Estado de São Paulo possui um acervo de aproximadamente 40.000.000 prontuários e expede, diariamente, em média 15.000 Cédulas de Identidade e 300 Atestados de Antecedentes Criminais.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA DACTILOSCOPIA

Perenidade
Os desenhos digitais existem desde o 6º mês de vida fetal, permanecendo intactos, inclusive, no pós-morte.

Imutabilidade
As propriedade dos desenhos digitais não mudam sua forma original em nenhum estágio da vida.

Classificados
     As propriedades das figuras digitais podem ser classificados para arquivamento e pesquisas.

Variabilidade
     Os desenhos digitais variam de dedo para dedo e de pessoa para pessoa.

     Duas impressões digitais somente serão consideradas idênticas, quando apresentarem doze ou mais "PONTOS CARACTERÍSTICOS", com a mesma configuração e que tenham exatamente a mesma localização.

Texto elaborado pelo Prof. José Bombonatti
Prof. de Papiloscopia da Academia de Polícia Civil do Estado de São Paulo.